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24 de novembro: Dia Nacional da Cultura Científica
Por António Pereira (Professor), em 2012/11/27550 leram | 0 comentários | 145 gostam
Para comemorar o Dia Nacional da Cultura Científica, imaginámos uma conversa com o poeta-cientista António Gedeão-Rómulo de Carvalho.
Entrevistador – Hoje vamos conversar com o poeta, professor, fotógrafo, investigador, historiador, pintor e ilustrador António Gedeão/Rómulo de Carvalho. Seja muito bem-vindo.
António Gedeão – Obrigado. E desde já aproveito para lhe agradecer o convite.
E – Prefere que o trate por António Gedeão ou por Rómulo de Carvalho?
AG – Sabe, eu não tenho preferência, mas como António Gedeão é o meu nome de poeta e, de certa forma, esta entrevista está mais ligada à poesia, então prefiro que me trate por António Gedeão.
E – Por que sentiu necessidade de criar um pseudónimo literário?
AG – A ideia do pseudónimo surgiu-me para distinguir a minha faceta de poeta da minha faceta de cientista. Como poeta, sou António Gedeão; como cientista, sou Rómulo de Carvalho.
E – Muito bem, Sr. António Gedeão. Mas voltemos um pouco atrás na sua vida. Diga-nos onde e quando nasceu.
AG – Eu nasci a 24 de novembro de 1906, em Lisboa.
E – Sabemos que antes de ser poeta foi professor…
AG – É verdade. Licenciei-me em Ciências Físico-Químicas, na Universidade do Porto, e fui professor de liceu, além de cientista.
E – Mas não começa logo a escrever poesia…
AG – Não, não começo. A partir dos anos 50, com o meu verdadeiro nome, Rómulo de Carvalho, publiquei vários volumes de divulgação da cultura científica e manuais escolares. A poesia só surge numa fase mais adiantada, quando eu já tinha meio século de vida (risos). Achei que estava na altura de mostrar às pessoas a minha veia poética.
E – O que é para si a poesia?
AG – Para mim, a poesia é uma forma artística de libertar e expressar os pensamentos e as emoções.
E – E como caracteriza a sua poesia?
AG – Não é fácil avaliar aquilo que fazemos, mas posso dizer-lhe que a linguagem dos meus poemas é simples e emotiva. Além disso, preocupo-me com o ritmo e com a musicalidade das palavras…
E – Mas também se preocupa com os temas.
AG – Sem dúvida. O sofrimento e a solidariedade humana, por um lado, e o mistério do mundo, por outro, foram sempre os meus temas prediletos.
E – Está a referir esses temas e eu estou a pensar em dois poemas seus, talvez os mais conhecidos do grande público: “Lágrima de Preta” e “Pedra Filosofal”. Acha que a música também terá contribuído para o sucesso desses poemas?
AG – Mas é claro que sim. A poesia tem um grande poder, mas quando ela se associa à música, então esse poder torna-se mágico. Ouvir a “Lágrima de Preta” e a “Pedra Filosofal” tocadas e cantadas por Manuel Freire foi e continua a ser para mim uma grande emoção.
E – Sr. António Gedeão, é também com grande emoção que nos despedimos de si. É claro que muito mais teria para nos dizer mas ficamos na companhia dos seus poemas e esses, enquanto houver leitores, não se cansarão de nos falar de si, das preocupações do homem e dos mistérios do mundo.
AG – Muito obrigado. As suas palavras fazem-me acreditar que em cada homem há sempre um poeta, basta deixar falar o coração…
E – São certamente influências da sua poesia… Obrigado, Sr. António Gedeão, e até sempre.
AG – Até sempre.
(Trabalho realizado pelo 7.º C, sob a orientação do Professor de Português, António Pereira)


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